quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Capítulo III (B)

- Bom dia princesa! – Exclamou estremunhado.
- Estou com uma tremenda ressaca. – disse ele.
- Pudera à quantidade de vinho que bebemos ontem, não é de admirar- disse eu – soltando uma gargalhada.
- Porque te ris? – perguntou.
- Estou-me a rir da tua cara!
- Da minha cara?
- Sim. Estás completamente sedado. Parece que todas estas horas de sono não foram suficientes para recuperar da noite de ontem.
- João assentiu com a cabeça, corou e envergonhado refugiou-se por debaixo dos lençóis.
- Que horas são? – perguntou num tom abafado.
- Não sei. Deixa-me ver no telemóvel. Levantei-me da cama e fui à sala procurar a minha bolsa. Estava no sofá. Peguei nela e o seu conteúdo despejou-se no chão, o fecho estava aberto. Apanhei tudo e voltei a colocar lá dentro à excepção do telemóvel que marcava 10h35m e de um papelinho amarrotado. Subitamente recordei-me do episódio da churrasqueira dos magrebinos e da mulher loira. Regressei ao quarto. Por instantes quedei-me de pé a olhar para o tecto.
- Então Margarida que se passa. Porquê esse ar pensativa?
- Arrependeste-te de alguma coisa do que se passou entre nós? – perguntou encadeadamente.
- “Achas? Claro que não!”- E pulei para a cama novamente abraçando-o com toda a força possível.
-“Tu és a melhor coisa que me podia ter acontecido nestas férias!”
- O que se passa é que tenho aqui este bilhete, disse mostrando o pedaço de papel amarrotado.

“Nathalia Nikolaeva”
“ZUL MUIDATS 12 ETAG”

João leu em voz alta. E perguntou: - sim e…? – deixando a pergunta no ar.
E contei todo o sucedido. Todos os factos estranhos que tinha observado: as trufas, os magrebinos, a loira, o arrastão.
- De facto é muito estranho. – disse o João. Mas o que é que estás a pensar?
- Não sei mas gostava de perceber o que está por detrás daquela história. Quem era aquela mulher e aqueles homens? Que faziam naquele restaurante? E porque é que ela se sujeitou aquele tratamento?
- Pois Margarida não te posso responder. Mas tenho uma solução voltámos lá à hora do almoço e falámos com o senhor. Pode ser que as personagens voltem lá…
- Oh. Vamos lá ter esse trabalho isto não passa de macacos na minha cabeça.
- Se calhar tens razão. Mas podemos ir lá de qualquer das maneiras. Temos que almoçar e temos por isso…
- Ok regressamos ao local do crime! – disse eu entusiasmada.
- Crime? Qual crime? Tu estás maluca. Andas a ver filmes a mais! Agora percebo porque é precisas de férias.
- Que engraçadinho! – disse com um ar chateada.
Vá não te chateies vamo-nos arranjar damos um passeio e depois vamos ao dito restaurante, alimentar o corpo. – Retorquiu o João.
Levantei-me energicamente em direcção ao quarto de banho e liguei o chuveiro. João segui-me os passos e mergulhamos num banho relaxante.
Quarenta e cinco minutos depois cruzávamos o portão da casa, para a rua de calceta em direcção à praia. João vestia a mesma roupa do dia anterior. Os mesmos calções garridos e uma t-shirt branca com uma figura vermelha que condizia com os calções, e umas havaianas pretas.
O céu estava claro, à semelhança do que aconteceu nos dias anteriores. O sol queimava e a praia vista de cima apresentava já alguns veraneantes equipados com guarda sois.
- Margarida não te importas que passe em casa só para trocar de roupa?
- Não claro que não. Então fazemos um pequeno desvio moro já ali à frente. Depois descemos também ainda é cedo para a hora do almoço.
Demoramos nem 5 minutos. Caminho todo ele feito a conversar sobre como tinha decidido vir para a praia das maçãs.
- Chegamos. É esta a minha casa! Disse João.

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